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José Ramos-Horta

José Ramos-Horta é um dos mais conhecidos habitantes Timor-Leste, tendo ocupado todos os cargos possíveis, depois de receber o Nobel da Paz em 1996, até chegar a Presidente da República, função a que se volta a candidatar nas eleições de 17 de março.

Biografia

José Ramos-Horta nasceu em Díli, capital timorense, filho de um sargento português, natural da Figueira da Foz, que foi deportado para Timor na sequência da Revolta dos Marinheiros, em Lisboa, contra o Estado Novo e a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Foi educado numa missão católica.
Formado em Direito Internacional, na Academia de Direito Internacional da Haia, na Holanda, e na Universidade de Antioch, nos Estados Unidos, fundou a Associação Social-Democrata Timorense (ASDT), que se transformou na Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente).
Com apenas 25 anos, foi ministro dos Negócios Estrangeiros no governo autoproclamado pela Fretilin, após a declaração unilateral de independência de 1975, mas abandonou o partido em 1989, garantindo, porém: “Não faço oposição à Fretilin, nunca o fiz e não vou fazer.”
Deixou Timor-Leste apenas três dias antes da invasão indonésia - uma história imortalizada no filme de produção australiana “Balibó”, de Robert Connolly -, para apresentar às Nações Unidas, em Nova Iorque, a violência da ocupação indonésia, tornando-se o representante permanente da Fretilin junto da ONU nos anos seguintes.
Viveu no exílio em Portugal, na Austrália e nos Estados Unidos da América, assumindo-se como porta-voz da resistência timorense à ocupação indonésia, entre 1975 e 1999.
Distinguido com o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o bispo Xímenes Belo, em 1996, regressou a Timor após a consulta popular de 1999, que conduziu o país à independência.
Após a restauração da independência, em 20 de maio de 2002, foi nomeado chefe da diplomacia de Timor-Leste, cargo ao qual viria a renunciar quando o questionado primeiro-ministro Mari Alkatiri anunciou que permaneceria no cargo. Posteriormente, na sequência da demissão de Alkatiri, em junho de 2006, Ramos-Horta assumiu o cargo de chefe do governo.
Em 2007, candidatou-se à Presidência da República sem o apoio da Fretilin, que indicou Francisco Guterres “Lu Olo”. “Felizmente, não devo grandes favores a nenhum partido político. Não estou comprometido com ninguém. Apenas com este povo”, disse Ramos-Horta na altura.
De todos os candidatos, é o mais conhecido internacionalmente. Chegou a posicionar-se para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas e disse várias vezes que a crise política e militar de 2006 – na sequência da qual viria a ocupar o chefe do governo– o desviou de um processo adiantado de angariação de apoios.
Foi eleito Presidente da República à segunda volta nas eleições de 09 de maio de 2007, contra Francisco Guterres “Lu Olo” – dupla que voltará a defrontar-se nas eleições de março.
A 11 de fevereiro de 2008, Ramos-Horta foi baleado com gravidade junto à sua residência, no que foi descrito como um atentado do grupo apoiante do major rebelde Alfredo Reinado, que morreu no local. O episódio reforçou a vertente católica do chefe de Estado, já vincada na anterior campanha presidencial com as suas messiânicas "t-shirts".