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Timor-Leste/Eleições:Campanha tranquila embora ensombrada pela morte de ex-Presidente Xavier do Amaral

15 de Março de 2012, 18:14

Díli, 15 mar (Lusa) - A campanha eleitoral para as eleições presidenciais de sábado em Timor-Leste terminou na quarta-feira, de forma pacífica e civilizada, embora tenha sido ensombrada pela morte por doença do candidato Francisco Xavier do Amaral, primeiro Presidente do país.

Francisco Xavier do Amaral morreu no passado dia 06 vítima de doença prolongada.

O Governo decretou luto nacional de três dias e muitos candidatos interromperam as suas atividades de campanha para estarem presentes no funeral do homem que proclamou a independência unilateral de Timor-Leste em 1975.

A morte de Francisco Xavier do Amaral diminui para 12 o número de candidatos ao cargo de chefe de Estado do país e obrigou o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) timorense a carimbar com a expressão "cancelado" todos os boletins de voto, que já tinham sido impressos, distribuídos esta semana pelas centenas de assembleias de voto do país.

A doença do "avô Xavier", como é carinhosamente tratado entre os timorenses, obrigou também o parlamento nacional a reunir de urgência para alterar a lei eleitoral para a Presidência da República, que previa a marcação de uma nova data para as eleições em caso de morte de algum candidato.

No dia 09, a revista "Tempo Interactive", de Jacarta, noticiou que o governo da Indonésia estava a preparar a retirada de 7.540 indonésios de Timor-Leste, para a eventualidade de a situação no país se deteriorar e de ocorrerem motins nas eleições presidenciais de 17 de março.

No entanto, no mesmo dia o ministro dos Negócios Estrangeiros da Indonésia, Marty Natalegawa, desmentiu estas informações e disse, citado pela agência Antara, que, como parceiro e vizinho de Timor-Leste, o governo da Indonésia tem a certeza que as eleições vão decorrer na tranquilidade.

Antes de a campanha se iniciar, na madrugada de dia 20 de fevereiro, pelo menos quatro 'cocktails molotov' foram lançados contra a Comissão Nacional de Eleições (CNE), o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e um carro da polícia de Timor-Leste, mas este ataque não reivindicado não teve sequência.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE) duas últimas semanas houve apenas alguns pequenos incidentes, relacionados com uso de bandeiras de partidos em candidaturas que não apoiavam, utilização indevida de veículos do Estado e presença de funcionários públicos em horário laboral em ações de campanha.

O presidente da CNE, Faustino Cardoso, disse à Lusa que a campanha eleitoral decorreu de "forma pacífica e num ambiente democrática".

A campanha teve início a 29 de fevereiro, com os candidatos a "fugirem" para os distritos onde permaneceram quase até aos últimos dias, que foram finalmente dedicados aos eleitores de Díli.

Se, durante a primeira semana, a capital nem sentia que decorria uma campanha eleitoral, apenas visível pela propaganda espalhada pelas principais ruas da cidade, desde sábado os comícios têm animado e atrapalhado o trânsito na cidade.

Embora tenha anunciado que não iria fazer apelos ao voto na sua candidatura, o Presidente do país, José Ramos-Horta, também considerou que a campanha decorreu "admiravelmente" e o porta-voz de um seus dos principais adversários, o ex-chefe das Forças armadas Taur Matan Ruak, classificou-a como "um sucesso" .

As restantes candidaturas, contactadas pela agência Lusa, também consideraram que a campanha decorreu de forma tranquila.

No sábado, mais de 600.000 eleitores vão escolher entre 12 candidatos para o cargo de Presidente da República.

São candidatos às eleições presidenciais: Manuel Tilman, Taur Matan Ruak, Francisco Guterres Lu Olo, Rogério Lobato, Maria do Céu Lopes da Silva, Angelita Pires, José Ramos-Horta, Francisco Gomes, José Luís Guterres, Abílio Araújo, Lucas da Costa e Fernando Lasama de Araújo.

MSE.

Lusa/Fim


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