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Timor-Leste/Eleições:"É importante que a comunidade internacional saiba que o país avançou" - MNE

17 de Março de 2012, 11:00

Díli, 17 mar (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, Zacarias da Costa, disse hoje à Lusa que as eleições presidenciais que se disputam hoje no país "são importantes para mostrar à comunidade internacional que o país avançou".

Em declarações à Lusa pouco antes de votar na escola primária de Aimutin, em Díli, Zacarias da Costa lembrou que Timor-Leste realiza hoje as terceiras presidenciais desde a restauração da independência, em 2002, e que "é importante que se mostre não só o amadurecimento das instituições e a sua consolidação, mas sobretudo uma imagem diferente de paz e estabilidade e progresso".

"Sendo as terceiras eleições presidenciais, e com dez anos percorridos, é importante que a comunidade internacional saiba que Timor-Leste avançou", disse o chefe da diplomacia timorense e líder do Partido Social Democrata, que não apresentou candidato próprio para a votação de hoje.

No dia 23 de fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma resolução que prolongou o mandato da missão em Timor-Leste (UNMIT) até ao final de 2012, sendo depois substituída por uma presença humanitária.

A resolução apela ainda ao governo timorense que tome uma "decisão atempada sobre a natureza, atividades e escopo do papel da ONU pós-UNMIT", em coordenação com a missão, a equipa da ONU no terreno e restantes atores.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, alertou por seu lado no dia 29 de fevereiro para a importância das eleições deste ano [presidenciais e legislativas, em junho] em Timor-Leste, que considera "críticas" para a paz e progresso no país.

Também por definir está o futuro da presença militar australiana e neozelandesa, atualmente de 460 efetivos, que estacionou no país após a crise política e de segurança de 2006.

Em abril, um relatório do Australian Strategic Policy Institute (ASPI), vinculado à diplomacia de Camberra, advertia que a retirada total das forças australianas "pode abrir caminho a novas convulsões no país que obriguem a nova intervenção militar liderada pela Austrália".

O documento foi mal recebido em Díli e tanto o Presidente timorense, José Ramos-Horta, como o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, disseram que aquela recomendação não correspondia aos desejos das autoridades de Díli e que estas esperavam o fim da presença da força de estabilização internacional no final do ano.

O relatório, acrescentou o então chefe das Forças Armadas, Taur Matan Ruak, que se demitiu entretanto do cargo para se candidatar às presidenciais de hoje, "não vale, o que vale é a decisão do Estado timorense, ponto final", afirmou.

Já o contingente da Guarda Nacional Republicana deverá continuar no país após 2012, ao abrigo de um protocolo assinado em setembro de 2011 por Xanana Gusmão e o Governo português, prevendo a permanência de efetivos para formação da polícia timorense

Após duas semanas de uma campanha tranquila, mais de 625 mil eleitores timorenses começaram a votar hoje em todo o território nacional para a eleição do terceiro Presidente do país, desde a restauração da independência a 20 de maio de 2002.

Concorrem às presidenciais 12 candidatos, entre os quais o atual chefe de Estado, José Ramos-Horta.

MSE/HB

Lusa/fim


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