Últimas

Timor-Leste/Eleições:Nenhum candidato tem a vitória garantida, avisa Mário Carrascalão (C/ÁUDIO)

20 de Março de 2012, 22:03

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt *** Díli, 20 mar (Lusa) - O deputado timorense Mário Carrascalão antecipou hoje que a campanha para a segunda volta das presidenciais em Timor-Leste será "muito mais intensiva" e haverá fricções entre os dois candidatos, já que nenhum tem a vitória garantida.

O deputado do Partido Social Democrata (PSD) de Timor-Leste comentava, questionado pela Lusa, os resultados da primeira volta das eleições presidenciais de sábado, que ditaram uma segunda volta entre o candidato da Fretilin, Francisco Lu Olo Guterres, e o general Taur Matan Ruak, apoiado pelo partido de Xanana Gusmão.

Depois de analistas contatados pela Lusa terem antecipado uma vitória de Taur Matan Ruak na segunda volta, admitindo que os votos dos candidatos excluídos na primeira volta serão transferidos para o ex-chefe das forças armadas, Mário Carrascação alertou que "vários outros componentes terão de ser tidos em conta".

"Não há dúvidas de que a incógnita estará no general Taur Matan Ruak, porque Lu Olo conta com um partido muito disciplinado, com uma base de cento e poucos mil votos", disse o ex-vice-primeiro-ministro do Governo chefiado por Xanana Gusmão.

No entanto, alertou que a realidade de hoje é diferente da de 2007, quando Lu Olo ganhou a primeira volta, mas perdeu para Ramos Horta na segunda porque os restantes partidos se aliaram contra a Fretilin.

"Desta vez isso não acontece. A posição da Fretilin mudou. Soube conquistar a simpatia dos outros partidos e conviver melhor com os outros partidos e este fator poderá ser um valor acrescentado para Lu Olo", afirmou.

Além disso, alertou, "o apoio dado pelo CNRT até poderá ser contraproducente" para Matan Ruak: "Ele apareceu como candidato independente que caiu na simpatia de muita gente. Mas depois de obter o apoio do partido de Xanana houve muita gente que se afastou dele porque sentiu que estava a ser levada por um partido quando as pessoas queriam era um Presidente independente".

"Não sei o que tudo isto vai dar, mas nada é tido como certo", disse Mário Carrascalão, lembrando que o PSD já tomou a decisão de não apoiar qualquer dos candidatos. Também o atual presidente, que ficou em terceiro lugar na primeira volta com 17,81 por cento dos votos, já afirmou que vai "observar de rigorosa neutralidade".

O resultado final, conclui Carrascalão, irá depender em grande medida das posições de Fernando La Sama de Araújo, que reuniu quase 80 mil votos, e de Rogério Lobato, que obteve a simpatia de 16 mil eleitores. "Estes elementos serão decisivos".

Certo, para o deputado social-democrata, é que a segunda volta "terá mais pontos quentes" e "mais fricções". "A disputa pelos votos será muito mais intensiva".

Lembrou que a obrigação de os eleitores votarem no local onde se registaram excluiu das urnas 200 mil pessoas, impedidas de votar devido à distância e ao preço das viagens, dificuldades que não se dissiparão na segunda volta.

"Vai haver muita disputa e talvez até tentativas de influenciar os votantes através de meios ilícitos", admitiu.

Ainda assim, está confiante de que o processo será mais pacífico do que o de 2007: "As pessoas têm uma educação cívica diferente, estão mais evoluídas, entendem melhor o que é democracia, aceitam melhor os resultados".

"Mas a disputa vai ser renhida, não tenho dúvidas".

FPA.

Lusa/fim


Comentários